terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

A ARTE PERSISTE ENTRE NÓS


Nonatto Coelho - Atual Presidente da AGAV
Associação Goiana de Artes Visuais
As Artes visuais em Goiás teve um forte impulso no final da década de 70 e durante todos os anos 80 incentivado pela paixão solitária de uma grande dama que amava a Arte:  Falo da saudosa Célia Câmara, proprietária da lendária  Casa Grande Galeria de Arte, que não poupava esforço em fortalecer a sociologia da Arte em nossa região provendo grandes exposições por aqui, tanto de artistas locais bem como nacionais, promovendo um intercambio muito saudável de levar a produção daqui para outras partes do Brasil bem como trazendo o que havia de melhor a nível nacional para Goiânia e também Brasília onde ela mantinha ótimas relações com artistas e com a Arte tanto a nível didático bem como mercadológico;depois dela, nos anos 90 o meio artístico local sofreu alterações com uma intromissão de novos conceitos estéticos e  mercadológicos numa espécie de Globalização inevitável que disseminou entre nós as estéticas vigentes dos países capitalizados ocidentais em todo o mundo,  por aqui também a onda internacionalista chegou impositiva , a despeito de sua ideologia  à deriva e por vezes aventureira se instalando na arte local.

O poder publico no Brasil teve seus avanços em relação a Arte no nosso país desde que comecei minha peripécia no mundo da arte no inicio dos anos 80, em que o incentivo publico era rarefeito e quase sempre voltados para os “grandes nomes” em detrimentos dos novos valores... Hoje  com  o surgimento de leis de mecenatos priorizando incentivos fiscais para pessoas físicas ou jurídicas que queiram apoiar a cultura,  e oportunizando o voluntario  incentivo de eventuais empresas publicas e privadas nas suas decisões em apoiar Artes e espetáculos, tem dinamizado o setor não só da Arte mas também da musica, literatura, Cinema etc. no entanto uma grande parte do setor empresarial de Goiás ainda necessita se conscientizar da importância de ter sua empresa ou sua marca empresarial contribuindo pra o crescimento Cultural do país, e cabe a nós os artistas e promotores de cultura promoverem palestras, seminários ,conferencias etc. de esclarecimento aos setores empresariais  e governamentais  sobre a importância de seus engajamentos no setor da arte e cultura.

Nos compêndios Escolares, temos de promover uma maior abrangência com o tema da arte e da cultura de modo geral pois  não se dissocia a Cultura da Educação, sob pena de algo estar incompleto; a Arte Brasileira é tratada muito superficialmente nas nossas escolas, e vejo que mesmo a Semana de Arte Moderna de 1922, que foi uma tentativa compulsória de atualizar o Brasil com o que se passava no âmbito artístico em países desenvolvidos, principalmente na Europa, ainda não foi compreendida de forma a contento no sistema didático Nacional;  ainda, o estudante  poderia ser munido de mais informações Culturais a respeito da nossa historia da Arte, e cito como exemplo o MASP, Museu de Arte de São Paulo, que é considerado o mais importante Museu da América Latina, a Bienal de São Paulo e toda sua historia de tentativa de introduzir no nosso meio as vanguardas internacional da Arte moderna e o que se passa também na  Arte contemporânea ( mesmo com toda sua controvérsia) a nível internacional..., o estudante do Brasil não foi ainda introduzido de forma mais concisa neste universo de cultura,  para que ele tenha  uma visão de introdução critica ou mesmo contemplativa destes valores inerentes e pragmáticos na nossa pátria. Uma Nação que não se conhece, não pode sequer se defender de influencias externas que eventualmente possa descaracterizar nossa cultura local. Com esta posição,  não quero aqui  falar que as inevitáveis influencias externas que cada pais possa sofrer são absolutamente negativas, mas munidos de informações e senso critico podemos ter maiores condições de filtrar o que vem  de fora.

Arte é uma linguagem poderosa, e seus signos e símbolos antecedem a Escrita. Ela estava conosco lá na caverna,  como nossos  primeiros sinais gráficos nos primórdios da nossa civilização; os rabiscos e desenhos   rupestres  são poderosos  testemunho da inteligência humana a  relacionar a questão da informação e por conseguinte à educação humana.
 Em meu entender a Arte, como a Religião tem o poder de alimentar uma fome inerente a vida: A fome espiritual. Alimentar a matéria é imprescindível, mas, o espirito também necessita ser alimentado... Arte tem o poder de restaurar nossos sonhos, retificar supostos elos perdidos em nossos desejos de superar a misera condições de materialidade e da tangencial condição limitada da matéria. Assim, ela tem a capacidade de restaurar a dignidade, a esperança e a cidadania de um ser  Humano.

Nonatto Coelho
(Presidente da AGAV- Associação Goiana de Artes Visuais)

 

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